O que é Urticária Crônica?
A urticária crônica é uma condição de pele caracterizada pelo aparecimento de vergões (pápulas ou placas elevadas e avermelhadas) que coçam intensamente e que persistem por mais de 6 semanas. Cada lesão costuma durar menos de 24 horas, mas novas lesões continuam a surgir, criando um padrão “onda” que pode envolver grandes áreas do corpo.
Existem dois sub‑tipos principais:
- Urticária crônica espontânea (ou idiopática): não há gatilho identificável.
- Urticária crônica induzida: as lesões são provocadas por estímulos físicos (frio, calor, pressão, vibração), alimentos ou medicamentos.
Embora a maioria dos casos seja benigna, a coceira persistente pode interferir significativamente na qualidade de vida, no sono e no bem‑estar psicológico.
Causas Mais Comuns
Em cerca de 50 % dos pacientes a causa permanece desconhecida, mas a literatura aponta diversas condições que podem desencadear ou perpetuar a urticária crônica.
- Infecções crônicas – como hepatite C, HIV, Helicobacter pylori ou sinusite recorrente.
- Doenças autoimunes – síndrome da tireoide autoimune (Hashimoto, Graves), lúpus eritematoso sistêmico, artrite reumatoide.
- Alimentos – frutos do mar, nozes, conservantes (sulfitos, corantes), aditivos como MSG.
- Medicamentos – anti‑inflamatórios não esteroides (AINEs), antibióticos (penicilinas, sulfonamidas), opióides.
- Estímulos físicos – frio, calor, pressão (ex.: cintos apertados), água corrente (urticária aquagênica).
- Doenças da tireoide – hipotireoidismo ou hipertireoidismo não tratado.
- Deficiências nutricionais – falta de vitamina D ou de suplementos de magnésio pode piorar a doença.
- Estresse emocional – o eixo hipotálamo‑hipófise‑adrenal pode amplificar a liberação de histamina.
- Reações a picadas de insetos – especialmente em indivíduos sensitizados.
- Doenças hematológicas – linfoma ou leucemia podem, raramente, se manifestar inicialmente como urticária persistente.
Sintomas Associados
Além dos típicos vergões com coceira, a urticária crônica pode vir acompanhada de outros sinais:
- Inchaço de lábios, pálpebras ou genitais (angioedema).
- Sensação de “formigamento” ou ardor nas áreas afetadas.
- Prurido que piora à noite, interferindo no sono.
- Fadiga, ansiedade ou depressão decorrentes da irritação crônica.
- Em casos raros, febre baixa ou mal‑estar generalizado.
Quando Procurar um Médico
Embora muitas erupções cutâneas sejam benignas, a presença de algum dos itens abaixo justifica consulta imediata:
- Lesões que surgem e permanecem por mais de 24 h (sugestivo de vasculite).
- Inchaço rápido na garganta, lábios ou língua, ou dificuldade para respirar (possível anafilaxia).
- Sintomas de angioedema que duram vários dias.
- Pele que apresenta bolhas, necrose ou coloração roxa escura.
- Persistência de sintomas por mais de 6 semanas sem melhora com antialérgicos de venda livre.
- Impacto significativo na qualidade de vida – insônia, ansiedade severa ou incapacidade de realizar atividades cotidianas.
Diagnóstico
O diagnóstico baseia‑se na história clínica e no exame físico, mas pode ser complementado por testes laboratoriais e de provocação.
1. Anamnese detalhada
- Duração, frequência e distribuição das lesões.
- Possíveis gatilhos (alimentos, medicamentos, ambientes).
- História pessoal e familiar de doenças alérgicas ou autoimunes.
- Sintomas associados (angioedema, febre, perda de peso).
2. Exame físico
- Observação das placas, cor, bordas e presença de edema.
- Teste de descarte: “prick test” ou teste de aspirina para identificar alergias específicas.
3. Exames laboratoriais
- Hemograma completo – pode revelar eosinofilia.
- Função tireoidiana (TSH, T4 livre) – avalia doença autoimune da tireoide.
- Proteína C‑reativa (PCR) e velocidade de hemossedimentação – ajudam a excluir vasculite.
- Teste de anticorpos anti‑mastócitos (IgG) e anti‑receptor de IgE (em casos raros).
- Sorologia para hepatite C, HIV e Helicobacter pylori quando indicado.
4. Testes de provocação física
Em suspeita de urticária induzida, o médico pode aplicar frio, calor, pressão ou temperatura controlada para reproduzir a lesão.
Opções de Tratamento
O objetivo principal é aliviar a coceira, reduzir o número de novas lesões e melhorar a qualidade de vida.
1. Terapia medicamentosa
- Anti‑histamínicos de segunda geração (cetirizina, loratadina, fexofenadina, desloratadina). Eles são o primeiro‑linha porque causam menos sonolência.
- Anti‑histamínicos de primeira geração (difenidramina, clorpromazina) podem ser usados à noite se a sonolência for desejada.
- Bloqueadores de leucotrieno (montelucaste) – úteis quando anti‑histamínicos não controlam totalmente.
- Corticosteroides orais de curta duração – prednisona 5‑10 mg/dia por até 2‑3 semanas, reservados para surtos graves.
- Imunomoduladores – omalizumabe (anticorpo monoclonal anti‑IgE) é aprovado para urticária crônica que não responde a anti‑histamínicos.
- Ciclos de imunossupressoção (ciclosporina, azatioprina) são opções de “reserva” em centros especializados.
2. Cuidados não‑medicamentosos
- Compressas frias sobre as áreas afetadas por 10‑15 min para reduzir a liberação de histamina.
- Banhos de aveia coloidal (Aveeno) – ajudam a acalmar a pele irritada.
- Hidratação da pele com loções sem perfume, contendo ceramidas ou ureia.
- Evitar irritantes – roupas apertadas, produtos de limpeza fortes, álcool em gel com perfumação.
- Gerenciamento do estresse – técnicas de respiração, yoga, mindfulness ou terapia cognitivo‑comportamental.
3. Tratamento de causas subjacentes
Se um gatilho específico for identificado (ex.: infecção por H. pylori, hipotireoidismo), o tratamento da doença de base pode resolver a urticária.
Dicas de Prevenção
Embora nem sempre seja possível impedir a urticária crônica, algumas medidas reduzem a frequência e a gravidade dos surtos.
- Manter um diário de sintomas para identificar potenciais gatilhos alimentares ou ambientais.
- Limitar ou eliminar alimentos conhecidos por causar reações (mariscos, nozes, corantes).
- Usar roupas de algodão, evitar tecidos sintéticos que provoquem fricção.
- Manter a pele bem hidratada e evitar banhos muito quentes ou prolongados.
- Reduzir consumo de álcool e cafeína, que podem exacerbar a liberação de histamina.
- Gerenciar o estresse com atividades relaxantes e sono adequado (7‑9 h/night).
- Se usar medicamentos que podem desencadear urticária (ex.: AINEs), converse com o médico sobre alternativas.
- Realizar exames regulares de função tireoidiana se houver histórico familiar de doenças autoimunes.
Sinais de Emergência – Quando Buscar Atendimento Imediato
Esses sinais indicam uma reação alérgica grave que pode evoluir para anafilaxia. Dirija‑se ao pronto‑socorro ou ligue para o serviço de emergência (192 no Brasil) imediatamente.
- Dificuldade para respirar, chiado ou sensação de aperto no peito.
- Inchaço rápido da face, língua, lábios ou garganta.
- Colapso ou tontura súbita, pulso rápido e fraco.
- Urticária que se espalha rapidamente e cobre grande parte do corpo.
- Prurido intenso acompanhado de vômitos, diarreia ou sensação de desmaio.
Fonte: Mayo Clinic, CDC, NIH (National Institute of Allergy and Infectious Diseases), Sociedade Brasileira de Dermatologia, Cleveland Clinic. Revisado por dermatologista especializado em doenças imunológicas.
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